J. T. Parreira

J.T.Parreira
(João Tomaz Parreira, Lisboa, 1947.) Colaborador da imprensa
religiosa evangélica. Poeta. Escreve na revista «Novas
de Alegria» e no Portal da Aliança Evangélica
Portuguesa. Faz uma crónica semanal no "Diário
de Aveiro". Na juventude escreveu poesia e artigos juvenis
no diário "República", entre 1970-1972.
Está representado no Projecto Vercial, a maior base de
dados da literatura portuguesa. Tem publicados 4 livros de poesia
e um ensaio teológico. Participa em várias antologias
de poesia moderna e cristã contemporânea, em Portugal
e no Brasil. Tem poemas traduzidos para inglês, italiano
e turco. 1ºs Prémios de Poesia da Confraria Camoneana
de Ílhavo em 2007 e 2008.
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OS
SAPATOS DE AUSCHWITZ
Por estes sapatos
que tiveram
dentro da noite os pés
arrastou-se a eternidade.
Aonde vão
os pés a flutuar?
Subindo uns
pelos outros
os sapatos têm cor de cinza
como a cinza dos corpos
que anoitece o ar.
Estes sapatos
traspassam
nossa alma
como um rio de névoa
como um rio de lama.
NADA, NEM MESMO
A CHUVA
Nobody, not
even the rain, has such small hands.
E.E.Cummings
Nada, nem mesmo
a chuva
tem tão pequenas gotas
como as lágrimas que se movem
dentro do coração.
E as pequenas mãos
que sobem pelo rosto
das mães? Ninguém
como elas tem a chave
para tão pequenas nuvens.
Ninguém, nem mesmo o silêncio
tem tão pequenas mãos
para abrir tão fechado
domínio.
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